A Anomalia, de Hervé Le Tellier, publicado pela Editorial Presença, com tradução de Tânia Ganho, foi vencedor do Prémio Goncourt 2020 e um êxito de vendas em França, com mais de um milhão de exemplares vendidos. Ver artigo
A Anomalia, de Hervé Le Tellier, publicado pela Editorial Presença, com tradução de Tânia Ganho, foi vencedor do Prémio Goncourt 2020 e um êxito de vendas em França, com mais de um milhão de exemplares vendidos. Ver artigo
O Vício dos Livros, de Afonso Cruz, foi publicado pela Companhia das Letras, chegando às livrarias na véspera do Dia Mundial do Livro. Um livro pessoal, escrito e ilustrado por uma das vozes mais originais da literatura portuguesa, em que se defende que o vício dos livros é afinal uma virtude. Porque há aqueles que precisam de ler como quem respira, sem que se pense, contudo, no porquê desse acto: «O leitor lê como respira. Se pensar no mérito daquilo que faz, interrompe ou suspende a virtude do acto.» (p. 62) Não só «somos todos leitores», como «a nossa vida depende da nossa capacidade de ler o mundo, que muitas vezes exige perceber o ritmo, a harmonia, as comparações, a melodia, os compassos, as analogias.» (p. 63) Ver artigo
Um Coração Convertido, de Stefan Hertmans, publicado pela Dom Quixote, é mais um belíssimo romance do autor de Guerra e Terebintina. Ver artigo
O Desassossego da Noite, de Marieke Lucas Rijneveld, publicado pela Dom Quixote, chega-nos em tradução directa do neerlandês por Patrícia Couto. Marieke Lucas Rijneveld foi, aos 29 anos, a vencedora mais jovem de sempre do Man Booker International Prize 2020. Romance de estreia de invulgar maturidade, situado na zona rural dos Países Baixos, inspirado num episódio autobiográfico (o irmão morreu num acidente rodoviário), podemos resumir rapidamente esta história com base na sinopse: «Esta é a história do desmoronar de uma família contada sem paninhos quentes por um dos seus membros: uma menina de 12 anos com uma lucidez extraordinárias.» Ver artigo
Casa de Dia, Casa de Noite, de Olga Tokarczuk, autora publicada pela Cavalo de Ferro, é apresentado como o primeiro romance-constelação da escritora. O livro, traduzido do original polaco por Teresa Fernandes Swiatkiewicz, foi vencedor do Prémio Günter Grass e do Prémio Nike ainda antes de a autora receber o Prémio Nobel de Literatura de 2018 (concedido em 2019). Ver artigo
Em junho deste ano, foi publicada a biografia de José Cardoso Pires, intitulada Integrado Marginal, publicado pela Contraponto. Resultado de três anos de trabalho do premiado escritor Bruno Vieira Amaral, representa o terceiro volume da coleção de Biografias de Grandes Figuras da Cultura Portuguesa Contemporânea, onde figuram O Poço e a Estrada – Biografia de Agustina Bessa-Luís, de Isabel Rio Novo (já apresentada no Cultura.Sul). A sinopse do livro dá bem conta de como Cardoso Pires foi visto de formas tão desencontradas: «Notívago, boémio, brigão. Receoso de que a imagem pública lhe ensombrasse os méritos literários. Crítico do marialvismo. Acusado de ser marialva. Bem relacionado. Obcecado com a própria independência. O maior escritor da segunda metade do século XX. Um escritor datado e sem a mesma projeção internacional de um Lobo Antunes ou de um Saramago. Um espírito insubmisso. Um casamento duradouro. A convicção e a crença no próprio trabalho.» Ver artigo
Líbano, Labirinto, de Alexandra Lucas Coelho, publicado pela Editorial Caminho em julho deste ano, é uma revisitação da autora a um país que lhe é querido. Quase 500 páginas de texto e 350 fotografias a cores resultam num livro em que se poderia assumir que a autora articula a reportagem e a narrativa de viagens, não fosse este cenário ser particularmente desolador. O livro inclui ainda as 5 reportagens que saíram no Público. Ver artigo
A outra metade, de Brit Bennett, publicado pela Alfaguara, com tradução de Tânia Ganho, é uma saga familiar, repartida ao longo de quatro décadas e vários estados norte-americanos. Ver artigo
Os Altruístas é o aclamado romance de estreia de Andrew Ridker, publicado pela Quetzal, com tradução de Vasco Teles de Menezes. Descrito como um sucedâneo de Correções, de Jonathan Franzen, a verdade é que não só dei por mim a sentir algum saudosismo desse grande livro como reencontrei parte do prazer que tive ao ler Correções. Os Altruístas é uma saga familiar do século XXI mas também, de forma brilhante e irónica, uma reflexão sobre o que significa ser hoje uma boa pessoa. Ver artigo
O Reino, de Emmanuel Carrère, publicado pelas Edições Tinta-da-china, «conta a história dos primórdios do cristianismo e de como dois homens, Paulo de Tarso e Lucas, transformaram uma pequena seita de judeus, liderados pelo seu pregador crucificado»; religião essa que em três séculos provocou a queda do Império Romano e conquistou o mundo. É um livro portentoso, com mais de 400 páginas, em que nas primeiras 100 páginas o autor nos faz um relato de como 25 anos antes passou por uma profunda crise existencial, tornando-se um católico praticante, cristão fervoroso, com quem 3 anos depois deixou de se identificar. Assumindo-se agora como um céptico, agnóstico, «nem suficientemente religioso para ser ateu» (p. 103), o autor revisita o seu arquivo, como é o caso de 18 cadernos em que comentava diariamente passagens do Evangelho de S. João. Na terceira parte do livro, o autor mergulha então no relato das vidas do apóstolo e do evangelista, sempre baseado na leitura da Bíblia, das cartas de S. Paulo, e vários outros textos religiosos. Porque ao autor interessa esmiuçar a verdade, tentando compreender o que está por trás de testemunhos nem sempre claros e de passagens insuficientes, O Reino é uma narrativa extremamente pessoal (o autor despe realmente a alma), e uma reconstrução histórica do Cristianismo nos seus primórdios, tacteando cuidadosamente entre o «certo, provável, possível e não impossível» (p. 331), demonstrando-nos como a religião não nasceu com a vinda do Messias – na verdade, quase nem deram por ele na altura –, mas com discípulos de carne e osso: Paulo de Tarso é um caso paradigmático, pois não chegou a conhecer o Cristo em vida. A perspectiva crítica de um conhecedor não crente do Evangelho– «passei dois anos da minha vida a comentar João, dois a traduzir Marcos, sete a escrever este livro sobre Lucas» (p. 413) –, dá-lhe espaço para colocar em causa aspectos de uma religião baseada numa inversão radical de valores (os ricos serão os pobres, os últimos serão os primeiros), cujos princípios se parecem ter perdido com o tempo: «A Igreja já não domina os assuntos; cumpriu obviamente o seu tempo e é difícil dizer se a sua idade avançada, da qual somos testemunhas bastante indiferentes, tende sobretudo para a senilidade agressiva ou para a sabedoria luminosa que lhe desejamos, pelo menos eu desejo, quando pensamos na nossa própria velhice.» (p. 419) Ver artigo