Este interessantíssimo livro, publicado pela Temas e Debates, está dividido em seis capítulos e explica o funcionamento do cérebro, abordando de forma apelativa o modo como decidimos, sentimos e pensamos, desde a mais tenra idade. O autor recorre aos mais variados estudos para comprovar como o cérebro de um bebé já está predisposto para a linguagem, ainda antes de começar a falar, que o bilinguismo pode inclusivamente trazer benefícios à nossa saúde mental e física, que ocorre uma grande transformação no cérebro quando aprendemos a ler e que o ser humano forma as noções do bem e do justo, da cooperação e da competição, logo nos primeiros meses de idade. A escrita é acessível, empolgante, com momentos de humor por parte do autor, que continua a discorrer com entusiasmo e erudição, recorrendo, em vários passos, a citações literárias de variados autores, como, por exemplo, José Saramago.
É particularmente interessante como o autor procura justificar que o inato não é o oposto do aprendido, mas sim «algo aprendido na cozinha lenta da história evolutiva do Homem» (p. 35), ou que o cérebro na sua magnificente arquitectura está preparado para a linguagem mas precisa de estímulo social, que «o bilinguismo ajuda uma criança a ser o piloto do seu próprio pensamento» (p. 41), pois desenvolve a capacidade executiva do cérebro, a forma como o cérebro calcula o tempo (o que explica finalmente porque é que quando fazemos exercício físico o tempo parece muito mais lento, mas porque o contamos muito mais rápido, em função da pulsação acelerada), e o modo como muitas vezes perante uma tomada de decisões o melhor é agir impulsivamente, pois o cérebro intuitivamente encontra a melhor resposta numa fracção de segundo.
Mariano Sigman é neurocientista, físico de formação, fundador do Laboratório de Neurociência Integrativa da Universidade de Buenos Aires e uma figura internacionalmente conhecida no domínio da neurociência cognitiva da aprendizagem e da decisão. Foi galardoado com os mais variados prémios, como o Human Frontiers Career Development, National Prize of Physics, Young Investigator do Collège de France e o IBM Scalable Data Analytics for a Smarter Planet Innovation Award.

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Paulo Nóbrega Serra
Written by Paulo Nóbrega Serra
Sou doutorado em Literatura com a tese «O realismo mágico na obra de Lídia Jorge, João de Melo e Hélia Correia», defendida em Junho de 2013. Mestre em Literatura Comparada e Licenciado em Línguas e Literaturas Modernas, autor da obra O Realismo Mágico na Literatura Portuguesa: O Dia dos Prodígios, de Lídia Jorge e O Meu Mundo Não É Deste Reino, de João de Melo, fruto da minha tese de mestrado. Tenho ainda três pequenas biografias publicadas na colecção Chamo-me: Agostinho da Silva, Eugénio de Andrade e D. Dinis. Colaboro com o suplemento Cultura.Sul e com o Postal do Algarve (distribuídos com o Expresso no Algarve e disponíveis online), e tenho publicado vários artigos e capítulos na área dos estudos literários. Trabalhei como professor do ensino público de 2003 a 2013 e ministrei formações. De Agosto de 2014 a Setembro de 2017, fui Docente do Instituto Camões em Gaborone na Universidade do Botsuana e na SADC, sendo o responsável pelo Departamento de Português da Universidade e ministrei cursos livres de língua portuguesa a adultos. Realizei um Mestrado em Didáctica do Português e das Línguas Clássicas e uma pós-graduação em Ensino Especial. Vivi entre 2017 e Janeiro de 2020 na cidade da Beira, Moçambique, onde coordenei o Centro Cultural Português, do Camões, dois Centros de Língua Portuguesa, nas Universidades da Beira e de Quelimane. Fui docente na Universidade Pedagógica da Beira, onde leccionava Didáctica do Português a futuros professores. Resido agora em Díli, onde trabalho como Perito de um Projecto de Cooperação e lecciono na UNTL. Ler é a minha vida e espero continuar a espalhar as chamas desta paixão entre os leitores amigos que por aqui passam.