Amos Oz, aclamado escritor israelita, faleceu no dia 28 de Dezembro de 2018, aos 79 anos de idade, vítima de cancro.
Oz nasceu em Jerusalém em 1939 e foi criado num kibbutz, uma comunidade em Israel dedicada à agricultura, baseada no trabalho colectivo e na assistência mútua. No livro Entre Amigos, apresentado no Postal do Algarve em Outubro de 2017, o autor revisitava justamente esse espaço onde começou a escrever, fazendo de um kibutz, nos anos 50, a verdadeira personagem principal desse livro.
Caros Fanáticos não é um livro de ficção, como aliás se percebe logo pela indicação na capa do subtítulo: «Fé, fanatismo e convivência no século XXI». Esta obra é uma compilação de três ensaios. Dedicada aos netos do autor, representa, muito oportunamente, uma reflexão dos actuais tempos conturbados, em que vagas de migrantes chegam à Europa, sem que se saiba bem como acolhê-los. O autor aborda temas sensíveis como o perigo do fanatismo fundamentalista ou a procura de uma solução para o conflito entre Israel e Palestina, propondo a existência de dois estados. Temas estes tão antigos como a História mas ainda profundamente actuais, sendo que o primeiro dos três ensaios, que dá nome ao livro, resulta aliás de uma série de conferências proferidas numa universidade na Alemanha, em 2002, em que o autor reflecte com ironia, mordacidade e inclusive um certo humor negro os riscos da intolerância e da cegueira religiosa: «A guerra em questão é uma guerra entre fanáticos convencidos de que os seus objectivos santificam todos os meios e todos os outros, para os quais a vida é um objectivo e não um meio.» (p. 16)
Oz, o escritor israelita mais conhecido e lido no mundo, cumpriu serviço militar na Guerra dos Seis Dias, em 1967, e na Guerra do Yom Kippur, em 1973, antes de realizar os seus estudos universitários. Foi jornalista, professor universitário de Literatura, activista político e militante a favor da paz entre os estados da Palestina e Israel.
Em Portugal, a sua obra tem sido publicada pela D. Quixote, com títulos como A Caixa Negra, Não Chames à Noite Noite, Uma História de Amor e Trevas e Judas. O livro Uma História de Amor e Trevas é de inspiração autobiográfica e foi adaptado ao cinema, com interpretação de Natalie Portman. Caros Fanáticos foi o mais recente livro do autor a ser publicado pela editora D. Quixote.

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Paulo Nóbrega Serra
Written by Paulo Nóbrega Serra
Sou doutorado em Literatura com a tese «O realismo mágico na obra de Lídia Jorge, João de Melo e Hélia Correia», defendida em Junho de 2013. Mestre em Literatura Comparada e Licenciado em Línguas e Literaturas Modernas, autor da obra O Realismo Mágico na Literatura Portuguesa: O Dia dos Prodígios, de Lídia Jorge e O Meu Mundo Não É Deste Reino, de João de Melo, fruto da minha tese de mestrado. Tenho ainda três pequenas biografias publicadas na colecção Chamo-me: Agostinho da Silva, Eugénio de Andrade e D. Dinis. Colaboro com o suplemento Cultura.Sul e com o Postal do Algarve (distribuídos com o Expresso no Algarve e disponíveis online), e tenho publicado vários artigos e capítulos na área dos estudos literários. Trabalhei como professor do ensino público de 2003 a 2013 e ministrei formações. De Agosto de 2014 a Setembro de 2017, fui Docente do Instituto Camões em Gaborone na Universidade do Botsuana e na SADC, sendo o responsável pelo Departamento de Português da Universidade e ministrei cursos livres de língua portuguesa a adultos. Realizei um Mestrado em Didáctica do Português e das Línguas Clássicas e uma pós-graduação em Ensino Especial. Vivi entre 2017 e Janeiro de 2020 na cidade da Beira, Moçambique, onde coordenei o Centro Cultural Português, do Camões, dois Centros de Língua Portuguesa, nas Universidades da Beira e de Quelimane. Fui docente na Universidade Pedagógica da Beira, onde leccionava Didáctica do Português a futuros professores. Resido agora em Díli, onde trabalho como Perito de um Projecto de Cooperação e lecciono na UNTL. Ler é a minha vida e espero continuar a espalhar as chamas desta paixão entre os leitores amigos que por aqui passam.