Este interessantíssimo livro, publicado pela Temas e Debates, está dividido em seis capítulos e explica o funcionamento do cérebro, abordando de forma apelativa o modo como decidimos, sentimos e pensamos, desde a mais tenra idade. O autor recorre aos mais variados estudos para comprovar como o cérebro de um bebé já está predisposto para a linguagem, ainda antes de começar a falar, que o bilinguismo pode inclusivamente trazer benefícios à nossa saúde mental e física, que ocorre uma grande transformação no cérebro quando aprendemos a ler e que o ser humano forma as noções do bem e do justo, da cooperação e da competição, logo nos primeiros meses de idade. A escrita é acessível, empolgante, com momentos de humor por parte do autor, que continua a discorrer com entusiasmo e erudição, recorrendo, em vários passos, a citações literárias de variados autores, como, por exemplo, José Saramago.
É particularmente interessante como o autor procura justificar que o inato não é o oposto do aprendido, mas sim «algo aprendido na cozinha lenta da história evolutiva do Homem» (p. 35), ou que o cérebro na sua magnificente arquitectura está preparado para a linguagem mas precisa de estímulo social, que «o bilinguismo ajuda uma criança a ser o piloto do seu próprio pensamento» (p. 41), pois desenvolve a capacidade executiva do cérebro, a forma como o cérebro calcula o tempo (o que explica finalmente porque é que quando fazemos exercício físico o tempo parece muito mais lento, mas porque o contamos muito mais rápido, em função da pulsação acelerada), e o modo como muitas vezes perante uma tomada de decisões o melhor é agir impulsivamente, pois o cérebro intuitivamente encontra a melhor resposta numa fracção de segundo.
Mariano Sigman é neurocientista, físico de formação, fundador do Laboratório de Neurociência Integrativa da Universidade de Buenos Aires e uma figura internacionalmente conhecida no domínio da neurociência cognitiva da aprendizagem e da decisão. Foi galardoado com os mais variados prémios, como o Human Frontiers Career Development, National Prize of Physics, Young Investigator do Collège de France e o IBM Scalable Data Analytics for a Smarter Planet Innovation Award. Ver artigo
Luísa Costa Gomes, nascida em Lisboa em 1954, licenciada em Filosofia, professora, directora da revista de contos FICÇÕES, gosta de dispersar a sua escrita pelas mais variadas áreas, do teatro ao conto, da crónica à tradução e legendagem, da mesma forma que gosta de alternar a escrita de um romance com outras tarefas. Sob a chancela da Dom Quixote, este é o mais recente romance da autora, quatro anos depois de Claúdio e Constantino (2014), e cerca de dois anos depois da reedição revista de A Vida de Ramon (1991, reeditado em 2016), curiosamente um texto de carácter hagiográfico, um romance biográfico sobre Ramon Llull, místico e missionário nascido em Maiorca, que viveu entre 1232 e 1316 e percorreu o mundo, do Mediterrâneo a África e à Ásia.
Florinhas de Soror Nada conta a vida de Teresa Maria, nascida no seio de uma família burguesa na segunda metade do século XX, que perante um pai distante e uma mãe incrédula vai afirmando a sua vontade em ser santa: «São Francisco jejuou quarenta dias, e ela não pode saltar o jantar?» (p. 33)
Ler esta narrativa é como ouvir uma reza, tal o ímpeto da linguagem que corre escorreita, límpida, musical, coloquial, por vezes com arcaísmos. Há ainda uma profusão de vocabulário religioso, como convém a uma hagiografia ou narrativa de vida de santo, mas quase sempre aplicado com humor. Igualmente marcante é a ironia da autora, por vezes com um sentido crítico mais cáustico, enquanto procura retratar a natureza contraditória desta criança que se quer santa (note-se o subtítulo A Vida de Uma Não-Santa), ao mesmo tempo que critica os religiosos, nomeadamente os padres, e os mitos e tabus.
«[Teresa Maria] Reconhece-se na indiferença com que as paroquianas recebem a indigna invectiva, um encolher de ombros perante as tais e quais birras do padre; elas bem sabem que não pecaram, não têm o hábito de pecar, não porque não queiram, ou não possam, mas na aldeia a oportunidade raramente se apresenta. Vivem ambas num dia-a-dia de caldos e cuidados, de quando em vez há um pensamento menos caridoso, um afundar-se no desespero, mas de passagem, ao fim da tarde, antes da solidão da noite, que dormem dum sono só.» (p. 125)
A ironia e o humor pautam a escrita da autora, se bem que neste livro haja uma intenção mais vincada que por vezes aproxima o livro da sátira. É emblemático o episódio em que Teresa arranca a orelha da estátua, como quem leva uma relíquia…
Teresa Maria mostra um excesso de autoconfiança que é aliás o que lhe permite desafiar mesmo a família, que aliás pouca importância lhe dá, quando toma a peito a sua vocação ou o ofício de ser santa. Tal como outros exemplos bem documentados da história das hagiografias, não se pense que a santidade de Teresa Maria nasce sem mácula. Pelo contrário, é depois do pecado, isto é, das brincadeiras sexuais que tem com Rafael, filho da criada de casa, que Teresa Maria mais acirradamente procura redimir-se.
A autora brinca com a linguagem da mesma forma que desmonta dogmas, enquanto narra a história de uma jovem que tão depressa tem brincadeiras exploratórias sexuais com Rafael (com nome de anjo) como depois corta o cabelo à tesourada ou põe cinzas na comida. A infância desta jovem é desfiada num rosário lento e espaçado, para depois no fim a narrativa ganhar novo fôlego e ímpeto, enquanto passa em revista a idade adulta e a terceira idade da protagonista, como se a consciência da vivência do tempo fosse mais lata quanto mais pequenos somos e menos vida acarretamos.
A autora parece ainda explanar o modo como na infância a vocação ou o sentido de missão é muito mais forte, mas conforme se dá a sua imersão na vida mundana e quotidiana, a «Idade Média», Teresa Maria é cada vez menos uma Teresa de Ávila e cada vez mais uma Maria, uma mulher sofredora, pois mesmo escapando ilesa aos martírios de santos, sobre os quais discorria com um certo contentamento sádico em criança, torna-se evidente como a vida humana é bastante difícil por si só, sem o estigma da diferença:
«Sofrer ou morrer, cumprindo o lema de Teresa em Ávila? Teresa que se aguentasse em Ávila, era forte e façanhuda, tinha a sua própria ambição de vir a figurar no calendário. Mas ela não. Não, assim não.» (p. 134)
Perto do final do romance, no último capítulo justamente intitulado «Vida», lê-se em cerca de quarenta páginas a súmula de toda a vida da protagonista, ficando o leitor a saber que se casou, teve filhos, e netos, e adoeceu, sem grande encantamento ou marcos assinaláveis que distingam a vida dessa mulher de outra qualquer. É também nesse momento que é mais fácil para o leitor simpatizar ou criar empatia com as vivências da protagonista. Mas também assistimos ao modo como em Teresa Maria, no decurso da sua vida, há um decréscimo da fé, em particular após o «Sermão à Ranhosa», ao ponto de renegar completamente a sua paixão de outrora por Deus, enquanto paradoxalmente aumenta o seu apetite pelo vinho.
A narrativa estende-se numa via sacra de 13 capítulos, se bem que chegando ao fim, é como se estivéssemos já mergulhados na leitura de um outro livro, tão forte é o cisma que se sente numa segunda parte da narrativa, com a mudança de paradigma por parte de Maria Teresa, quando aos 97 anos se prepara para morrer. Chegados ao final do livro, retoma-se o que lemos no início, num género de prólogo, onde se pressentia a desconexão de uma mente perdida, próxima da demência ou do esquecimento: «A morte já passou, falta morrer.» (p. 12) Ver artigo
Publicado em Março pela Alfaguara, este livro é uma sequela de O meu nome é Lucy Barton, em que a autora explora justamente as sequelas do impacto que Lucy Barton teve naqueles que a rodeiam, em Amgash, cidade do Midwest americano, onde viveu na sua infância. Lucy Barton, antes uma criança irreverente e um pouco estranha, oriunda de uma família marginalizada, é agora uma famosa escritora, e é particularmente através da sua escrita, sob a forma de um livro de memórias, que vai ter impacto na comunidade, sobre cujas vidas podemos ler de forma fragmentada, como se esta obra fosse uma colectânea de contos, em que, todavia, as várias histórias se vão interligando entre si, com personagens que são mencionadas aqui e exploradas ali, sempre com Lucy Barton no seu centro. Também no centro das várias histórias, a entretecê-las, está a exploração do bem e do mal que vive em maior ou menor harmonia no seio de cada indivíduo, das acções cometidas no passado que ainda perseguem a memória, seja por actos cometidos em guerras impostas, seja por escolhas feitas por amores mais ou menos irreflectidos, ou por simples caprichos de uma vontade intempestiva que dita alguma palavra menos premeditada, mas que pode causar danos irreparáveis. Felizmente tudo é possível, e se as pessoas não estiverem demasiado interessadas em si mesmas, como se afirma a certa altura, é sempre possível reparar o mal que por vezes se comete, porque é isso que significa ser humano: «Somos todos uma trapalhada, Angelina, tentamos fazer o melhor que podemos, amamos de um modo imperfeito, Angelina, mas não faz mal.» (p. 56). E ao ler-se esta passagem, não parece que o nome próprio da personagem seja acidental…
Percebemos que passou um ano, e cinco das nove histórias ou capítulos que constituem o livro, quando Lucy Barton, até aí sempre comentada e analisada mediante o olhar de terceiros, aparece finalmente em cena, para um reencontro com os seus dois irmãos, na casa onde viveram em crianças, com uma mãe distante e apagada, e na mais abjecta pobreza.
A escrita de Elizabeth Strout é extremamente subtil, na forma como interliga o gesto mais banal com a profundidade psicológica e a reflexão em torno da vida, da felicidade, do amor, do remorso.
A autora obteve sucesso mundial com Olive Kitteridge (adaptado a uma fabulosa mini-série com a Frances McDormand), obra que lhe valeu um Pulitzer. Ver artigo
A Devastação do Silêncio (Elsinore) é o mais recente romance de João Reis, publicado no dia 16 de Abril, com ilustrações de Lord Mantraste, que tão bem acentuam a crueza e a ironia deste livro.
Afirmava alguém que muitos escritores da nova geração não parecem ter memória do 25 de Abril (até porque não o viveram) nem reconhecer a importância desse momento de cisão, do mesmo modo que alguns destes autores optam por situar as suas narrativas num cenário universal e anódino, sem nada que o torne especificamente português.
Parece sincronia esta coincidência entre a publicação do livro e a efeméride dos cem anos decorridos desde a Batalha de La Lys, em que o Corpo Expedicionário Português foi dizimado. O autor recorda aqui a história de um tio-bisavô, soldado prisioneiro num campo de prisioneiros alemão, durante a Primeira Guerra, sem documentos que o confirmem como oficial, pois foram-lhe roubados, obrigado a partilhar as miseráveis condições de vida dos restantes soldados. O protagonista terá sido «engenheiro na vida civil» (p. 42), estudou em França, e nasceu com uma assimetria corporal do ombro para baixo, o que lhe valeu dispensa, sendo alistado como engenheiro militar, e depois promovido a oficial e a capitão. A sua história é uma vez mais narrada na primeira pessoa, dando a conhecer a Guerra não nos grandes acontecimentos (e mortandades) mas pelo tédio, pela rotina, pela fome e pela pouca higiene: «os piolhos saltavam-lhe do cabelo… estava cheio deles, atafulhado… os outros homens pouco se importavam, pois se não fossem os piolhos, eram os carrapatos, mais sangue, menos sangue… ali, eram essas as batalhas que nos restavam.» (p. 20)
Os prisioneiros morrem não da guerra, mas da doença: «a doença alastrava pelo campo, a tuberculose e a pneumonia matavam-nos aos poucos, no inverno anterior, os romenos haviam morrido às dezenas por conta da gripe (…), os romenos morreram às pazadas, era o que se dizia, que tinham perecido às centenas com disenteria, decerto propagavam-se também todos os géneros de pestilências labiais e linguais… pústulas… carne viva… lacerações…» (p. 22).
Um livro negro, como o primeiro, sarcástico, com laivos grotescos, condizentes à realidade descrita, sem dourados nem subtilezas, mas ainda assim com um fino humor e ironia: «a guerra traria o derradeiro estádio civilizacional dos respectivos povos (…), mais alguns anos e desenvolveríamos guelras e barbatanas» (p. 96).
A narrativa alterna entre um presente, em que o protagonista se encontra com alguém a uma mesa de café – e por isso sabemos que sobreviverá -, enquanto se discute uma gravação com a sua voz. A narrativa é assim um trabalho de rememoração, por vezes com carácter metaficcional. Note-se como o oficial invoca constantemente a necessidade do silêncio – que terá sido aliás a sua melhor arma e garante de sobrevivência durante a guerra: «é preferível manter a ambiguidade, a incerteza, trata-se de uma técnica que utilizei ao longo da vida com enorme proveito» (p. 95). Ao mesmo tempo que invoca a constante vontade em escrever sobre aquilo que testemunha, mas sem papel onde assentar o seu depoimento: «Queria escrever, anotar aquilo em que pensava, o que acontecera no campo nesse dia, decidi não escrever, faltava-me o papel e era inútil, uma perda de tempo, portanto pus-me então à escuta de pássaros» (p. 25).
Português prisioneiro num campo alemão, cria-se também a possibilidade de perspectivar o soldado luso a partir do outro, enquanto simultaneamente se traça uma reflexão acerca desse outro: «Os alemães dedicam-se à ponderação, levantam dúvidas curiosíssimas, é impossível alcançar um tal ponto de civilização nos nossos penhascos e barrancos…» (p. 90) Ver artigo
Claudio Magris, autor de Danúbio, nasceu em 1939 em Trieste, que é aliás o cenário de vários destes textos que podem ser lidos como crónicas.
Budapeste, Nova Iorque, Estocolmo, Berlim ou Istambul, são o palco de pequenas situações a partir dos quais o autor passa a tecer breves considerações e reflexões, que colocam em causa assuntos tão díspares como a natureza da guerra, a economia, o multiculturalismo, ou a diferença entre “andar com” e “estar com” alguém.
Seja num comboio, numa esplanada, ou num cemitério, estes instantâneos captados pelo autor podem ainda ser lidos como momentos de clareza, rasgões na tela de um fresco que subitamente permitem ler e entender algo maior sob a superfície do quotidiano: «O instantâneo é um ecrã de televisão, graças ao qual finalmente compreendo como é que tantos bancos podem ter sido tão imprevidentes e caminhado alegremente para a ruína.» (p. 53)
Este livro, designado na contracapa como «uma pequena comédia humana» reúne um conjunto de instantâneos, imagens apreendidas numa fracção de segundos que são depois dissecadas pelo vaguear imaginativo e filosófico do autor. São 38 textos breves e pessoais, com duas a quatro páginas cada, organizados em sequência cronológica, entre os anos de 1999 e 2016. E nem de propósito termina com o instantâneo intitulado «Selfie». É óbvia a capacidade imaginativa do autor, que nos deixa a interrogar até que ponto as cenas descritas não serão plena criação. Destacam-se, na minha leitura, a cena do casal numa esplanada de café, ambos focados nos seus telemóveis, cuja intimidade é devassada pelo olhar arguto do autor, em «Cenas mudas de um casamento», ou o instantâneo «Leão-marinho» em que um homem casado desafia um grupo de adolescentes para depois lamentar a liberdade perdida da juventude.
Este pequeno livro com formato de bolso e capa dura é a companhia perfeita para abrir num café ou numa esplanada, e ler um instantâneo que nos ajude também a abrir os olhos para o real envolvente. Além de ter uma particularidade interessante, pois basta despir o livro da sobrecapa para deixar na ignorância os mais curiosos que gostam de tirar “instantâneos” dos livros que os colegas transeuntes lêem nos transportes públicos ou numa sala de espera: a capa negra sem letras gravadas acentua o mistério e evita que os leitores mais púdicos tenham de forrar os livros… Ver artigo
Os Memoráveis, romance de Lídia Jorge (publicado em 2014 pela Dom Quixote) que constitui «Uma revisitação literária aos mitos fundadores da Revolução e da Democracia» passa a fazer parte da Colecção Essencial – Livros RTP, um projeto cultural concebido pela RTP em parceria com a LeYa, sob curadoria do editor Zeferino Coelho.
Ao ler Os Memoráveis prevalece a agradável sensação de um quase retorno ao “extra-ordinário” dos primeiros dois romances da autora, com uma aura fantástica, ou melhor, de realismo mágico. Em 2014, a autora concedeu uma entrevista ao Cultura.Sul e relembramos agora algumas das suas próprias palavras para chegarmos «ao coração do coração da fábula».
Quando em 2000 o suplemento literário do jornal Público, então designado «Leituras», solicitou
A situação que inspirou este romance foi, em parte, a forma como cinco jovens escritores portugueses, com menos de trinta e cinco anos, que escreveram textos tendo por mote a revolução, acabaram todos por evitar o assunto, pois a revolução de 1974 parecia ser-lhes alheia.
A autora declara ter havido um processo de pesquisa, embora não sistemático, acumulando ao longo dos anos vários dados, como livros, artigos, documentários, entrevistas. Fez inclusive várias entrevistas e o contacto com determinadas figuras confirmava a sua ideia: «Era preciso escrever sobre o “Olhar de Ulisses” português.»
Este romance não se pode definir como um romance historiográfico, pois o que interessava à autora era escrever «sobre o momento da História em que os dados reais se transfiguram em lenda. Trata-se de um livro sobre uma mitologia. Escrevi sobre factos irreais para tentar atingir a realidade.»
Lídia Jorge habituou-nos, nos seus romances, a uma jovem que vê o mundo com uma certa ingenuidade ou inocência, muitas vezes perdida no final. Ana Maria, a Machadinha, como o próprio nome indica, revela-se uma surpresa na sua galeria de personagens, pois é uma mulher aparentemente fria, calculista, que desde o início do romance indicia não revelar tudo o que sabe (parecendo deixar a inocência para Margarida Lota). Este foi um processo consciente, pois essa figura ambígua fazia falta, como alguém que visse o mundo de forma lúcida e ao mesmo tempo amasse a realidade tal como esta se afirma.
Esta é provavelmente das obras da autora aquela que tem uma leitura mais fluída, quase ininterrupta, onde a linguagem é reduzida ao osso, ao essencial, num registo muito próximo da oralidade. Ver artigo
Considerando o que tenho lido nos últimos dias em torno da adaptação indevida de João Botelho a partir do romance O Corsário dos Sete Mares, obra que ainda não li, embora tenha lido a Peregrinação, obra que trabalhei para a monografia de licenciatura sob uma perspectiva espiritual, inicio a leitura do mais recente romance da autora, num singelo gesto de apoio.
A acção deste ambicioso e portentoso romance histórico decorre entre 1617 e 1667, sendo esse período de crise de identidade nacional, em que Portugal é governado por Espanha, perspectivado a partir de quatro figuras emblemáticas. A autora escolhe quatro personalidades históricas que estão mais ligadas à literatura do que à História, se bem que noutros tempos, a literatura e a cultura também faziam a História: o poeta proscrito, Brás Garcia Mascarenhas; a professa Violante do Céu; D. Francisco Manuel de Melo; e o Padre António Vieira.
A própria autora escreveu ainda numa dedicatória pessoal que esta é a sua «obra mais trabalhosa, nos moldes das Cortes na Aldeia», de Francisco Rodrigues Lobo. A estrutura formal desse romance sente-se principalmente na forma como se pontua a narrativa com «Diálogos», em que várias personagens dialogam entre si. Este romance histórico pode ainda ser lido na sequência de D. Sebastião e o Vidente.
Em «sintonia com a intriga», a autora escreve ao estilo da época, mas num português que é ainda assim perfeitamente perceptível, com uma estrutura frásica que permite uma leitura fluída, sem peias nem aleijões.
Deana Barroqueiro nasceu nos Estados Unidos da América mas veio para Portugal aos dois anos de idade. Licenciada em Filologia Românica, foi professora de Língua e Literatura Portuguesa e Francesa, e naquela que é já uma vasta carreira como romancista, em que a História é sempre a sua principal musa e protagonista, a autora não se coíbe ainda de visitar escolas e espaços culturais. Mais recentemente, João Botelho adaptou a sua obra O Corsário dos Sete Mares – Fernão Mendes Pinto, a propósito do filme Peregrinação, obra-prima da literatura de viagens que pelos vistos não leu, tendo-se antes socorrido do romance de Deana Barroqueiro como forma de melhor recontar a história do aventureiro e explorador português. Ver artigo
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