Este romance publicado pela Gradiva de Ayelet Gundar-Goshen, autora israelita nascida em 1982 – psicóloga, docente universitária, argumentista, e que já trabalhou como jornalista e editora – corre o risco de passar despercebido. Talvez porque não cheira a laranjas ou a pêssegos, como as suas personagens. Mas exalam destas páginas uma exuberância e um encanto, inclusivamente na criatividade e na poesia da linguagem, que lembram a pujança do realismo mágico.
Nas vésperas da Segunda Guerra, Markovitch e o seu amigo Feinberg partem de Israel num barco com 20 homens, rumo à Europa, onde casarão 20 jovens mulheres judias, de forma a lhes conseguir um salvo-conduto e emigrar para Israel.
É um romance fundamentado na História com a força mítica da alegoria, onde se narra a história de Israel através do seu povo, com personagens quase sempre isoladas na sua diferença e no seu amor assolapado por alguma causa ou por alguém. Realismo mágico? Nem por isso. Mas disso falarei depois melhor.
De volta
Só uma noite, Markovitch, de Ayelet Gundar-Goshen