Susan Sontag, uma das mais importantes intelectuais norte-americanas da segunda metade do século xx, é conhecida sobretudo pelos seus ensaios. Nasceu em 1933, em Nova Iorque, onde viveu até à data da sua morte, 2004. Várias vezes premiada e amplamente traduzida, foi professora e uma activista na defesa dos direitos das mulheres e dos direitos humanos em geral. Escreveu nas mais prestigiadas publicações norte-americanas, como The New Yorker, The New York Review of Books, The New York Times, The Times Literary Supplement, Art in America, Antaeus, Par-nassus, The Nation e na Granta.
Histórias (Stories) reúne toda a ficção breve deixada pela autora, publicada pela Quetzal, e consiste em 11 textos, traduzidos por Vasco Teles Menezes, originalmente publicados em revistas como The New Yorker ou Playboy, entre as décadas de 60 e 80. Alguns destes contos chegam às 50 páginas, em que a autora ora põe a nu o seu lado íntimo, podendo nós assumi-los como textos autobiográficos, ora aposta em textos mais ambíguos, próximos da alegoria, segundo a contra-capa, ou de uma ambiguidade difícil de definir, a que só os bons autores nos conseguem transportar sem risco de perder o leitor.
Deste volume, podemos destacar «Peregrinação», a minha história favorita, em que a autora conta como em 1947, com 14 anos, depois de descobrir A Montanha Mágica, tem a oportunidade de conhecer Thomas Mann que na década de 40 vivia, assim como outras celebridades, no sul da Califórnia. Mas este episódio em que a jovem leitora conhece um grande escritor também é imbuído de algum desencanto: «Não me teria importado se ele tivesse falado como um livro. Queria que ele falasse como um livro. O que me estava a começar obscuramente a incomodar era o facto de (coisa que eu não teria conseguido verbalizar à época) ele falar como uma crítica a um livro.» (p. 37); «O homem que conheci não tinha mais do que fórmulas sentenciosas para dar, embora fosse o homem que escrevera os livros de Thomas Mann. E eu proferi apenas ingenuidades arrancadas a ferros, embora me encontrasse repleta de sentimentos complexos. Nenhum de nós esteve ao melhor nível.» (p. 42)
Alguns destes contos são mais experimentais, mas ainda assim revelam-nos dados sobre a infância e juventude da autora, como «Projeto para uma viagem à China». Mas, na sua maioria, estas histórias tocam momentos mais dramáticos de uma vida humana, como o suicídio de uma amiga, a doença de um amigo próximo – nos primórdios da epidemia da SIDA –, a morte de um filho (aqui a roçar a sátira) ou o desaparecimento de um pai.
O filho de Susan Sontag, David Rieff, foi o editor dos seus diários inéditos, publicados pela Quetzal, com o título Renascer. Susan Sontag viveu os últimos anos da sua vida com a fotógrafa Annie Leibovitz.

Susan Sontag, uma das mais importantes intelectuais norte-americanas da segunda metade do século xx, é conhecida sobretudo pelos seus ensaios. Nasceu em 1933, em Nova Iorque, onde viveu até à data da sua morte, 2004. Várias vezes premiada e amplamente traduzida, foi professora e uma activista na defesa dos direitos das mulheres e dos direitos humanos em geral. Escreveu nas mais prestigiadas publicações norte-americanas, como The New Yorker, The New York Review of Books, The New York Times, The Times Literary Supplement, Art in America, Antaeus, Par-nassus, The Nation e na Granta.
Histórias (Stories) reúne toda a ficção breve deixada pela autora, publicada pela Quetzal, e consiste em 11 textos, traduzidos por Vasco Teles Menezes, originalmente publicados em revistas como The New Yorker ou Playboy, entre as décadas de 60 e 80. Alguns destes contos chegam às 50 páginas, em que a autora ora põe a nu o seu lado íntimo, podendo nós assumi-los como textos autobiográficos, ora aposta em textos mais ambíguos, próximos da alegoria, segundo a contra-capa, ou de uma ambiguidade difícil de definir, a que só os bons autores nos conseguem transportar sem risco de perder o leitor.
Deste volume, podemos destacar «Peregrinação», a minha história favorita, em que a autora conta como em 1947, com 14 anos, depois de descobrir A Montanha Mágica, tem a oportunidade de conhecer Thomas Mann que na década de 40 vivia, assim como outras celebridades, no sul da Califórnia. Mas este episódio em que a jovem leitora conhece um grande escritor também é imbuído de algum desencanto: «Não me teria importado se ele tivesse falado como um livro. Queria que ele falasse como um livro. O que me estava a começar obscuramente a incomodar era o facto de (coisa que eu não teria conseguido verbalizar à época) ele falar como uma crítica a um livro.» (p. 37); «O homem que conheci não tinha mais do que fórmulas sentenciosas para dar, embora fosse o homem que escrevera os livros de Thomas Mann. E eu proferi apenas ingenuidades arrancadas a ferros, embora me encontrasse repleta de sentimentos complexos. Nenhum de nós esteve ao melhor nível.» (p. 42)
Alguns destes contos são mais experimentais, mas ainda assim revelam-nos dados sobre a infância e juventude da autora, como «Projeto para uma viagem à China». Mas, na sua maioria, estas histórias tocam momentos mais dramáticos de uma vida humana, como o suicídio de uma amiga, a doença de um amigo próximo – nos primórdios da epidemia da SIDA –, a morte de um filho (aqui a roçar a sátira) ou o desaparecimento de um pai.
O filho de Susan Sontag, David Rieff, foi o editor dos seus diários inéditos, publicados pela Quetzal, com o título Renascer. Susan Sontag viveu os últimos anos da sua vida com a fotógrafa Annie Leibovitz.

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Paulo Nóbrega Serra
Written by Paulo Nóbrega Serra
Sou doutorado em Literatura com a tese «O realismo mágico na obra de Lídia Jorge, João de Melo e Hélia Correia», defendida em Junho de 2013. Mestre em Literatura Comparada e Licenciado em Línguas e Literaturas Modernas, autor da obra O Realismo Mágico na Literatura Portuguesa: O Dia dos Prodígios, de Lídia Jorge e O Meu Mundo Não É Deste Reino, de João de Melo, fruto da minha tese de mestrado. Tenho ainda três pequenas biografias publicadas na colecção Chamo-me: Agostinho da Silva, Eugénio de Andrade e D. Dinis. Colaboro com o suplemento Cultura.Sul e com o Jornal Postal do Algarve, e tenho publicados vários artigos na área dos estudos literários. Trabalhei como professor do ensino público cerca de 10 anos e ministrei formações. De Agosto de 2014 a Setembro de 2017, fui Docente do Instituto Camões em Gaborone na Universidade do Botsuana e na SADC, sendo o responsável pelo Departamento de Português da Universidade e ministrei cursos livres de língua portuguesa a adultos. Realizei um Mestrado em Didáctica do Português e das Línguas Clássicas e uma pós-graduação em Ensino Especial. Ler é a minha vida e espero continuar a espalhar as chamas desta paixão entre os leitores amigos que por aqui passam. Resido actualmente na cidade da Beira, Moçambique, onde coordeno um Centro Cultural Português, do Camões, dois Centros de Língua Portuguesa, nas Universidades da Beira e de Quelimane. Sou docente na Universidade Pedagógica da Beira, onde leciono Didáctica do Português a futuros professores.