Este livro (da Temas e Debates) debruça-se de forma científica sobre a forma como a meditação, uma prática cada vez mais corrente e assente em diversos contextos, inclusive empresas e escolas, passou nas últimas décadas a ser vista como uma panaceia. Não se infira, contudo, que os autores estão contra a meditação. Pretendem sim estudá-la com bases científicas e evidenciar com recurso a provas fundamentadas na ciência que a meditação pode alterar o funcionamento da mente, do cérebro e até mesmo do nosso corpo. Falar de meditação é também falar de outra prática que se tem tornado bastante divulgada recentemente: o mindfulness. Os autores começam por diferenciar a vida profunda da via larga, sendo a via profunda a vivência plena da meditação na sua forma mais pura, como em antigas linhagens budistas do sudeste asiático ou entre os iogues tibetanos, ou ainda a forma como a meditação deixou gradualmente de fazer parte de um estilo de vida total para ser adaptada ao gosto ocidental. Consoante se sobe de nível a meditação vai sendo considerada nas suas formas mais diluídas, tendo-se tornado também acessível a um conjunto mais amplo de pessoas.
Os autores viveram durante alguns anos em países como a Índia ou o Sri Lanka, onde imergiram noutro modo de vida, estudando os antigos textos, conhecendo estudiosos de meditação, praticando os antigos métodos e vivendo em retiros. São professores e investigadores reputados da Psicologia, Psiquiatria, ou Neurologia, e puderam usar instrumentos modernos para, por exemplo, obter, em ambiente controlado de laboratório, tomografias do cérebro de praticantes de meditação a “nível olímpico”.
«Um traço alterado – uma nova característica que resulta da prática da meditação – perdura para lá da meditação em si. Os traços alterados mudam a forma como nos comportamos na vida quotidiana e não apenas enquanto meditamos, ou imediatamente a seguir.» (p. 13)
Este é um estudo sério e sólido, num tempo em que já é possível inclusive realizar Doutoramentos ou Pós-Doutoramentos em meditação, com referência a diversos estudos de caso.

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Paulo Nóbrega Serra
Written by Paulo Nóbrega Serra
Obtive o grau de doutor em Literatura com a tese «O realismo mágico na obra de Lídia Jorge, João de Melo e Hélia Correia», em Junho de 2013. Mestre em Literatura Comparada e Licenciado em Línguas e Literaturas Modernas, autor da obra O Realismo Mágico na Literatura Portuguesa: O Dia dos Prodígios, de Lídia Jorge e O Meu Mundo Não É Deste Reino, de João de Melo, fruto da minha tese de mestrado. Tenho ainda três pequenas biografias publicadas na colecção Chamo-me: Agostinho da Silva, Eugénio de Andrade e D. Dinis. Colaboro com o suplemento Cultura.Sul e com o Jornal Postal do Algarve, e tenho publicados alguns artigos na área dos estudos literários. Trabalhei como professor do ensino público cerca de 10 anos, ministrei formação. Fui Docente do Instituto Camões em Gaborone na Universidade do Botsuana e na SADC, sendo o responsável pelo Departamento de Português da Universidade e ministrei cursos livres de língua portuguesa a adultos. Realizei entretanto um Mestrado em Didáctica do Português e das Línguas Clássicas, frequento uma formação online de promoção da leitura e preparo-me para uma de revisão. Ler é a minha vida e espero continuar a espalhar as chamas desta paixão entre os leitores amigos que por aqui passam. Resido actualmente na cidade da Beira, Moçambique.