Fecha-se hoje para mim o círculo iniciado em 2014 com a estreia da série The Affair.
Cheio de pistas sobre a sua própria trama, como o facto de o seu romance de maior sucesso se designar The Descent, esta série narra a história da ruína de um homem, um escritor já aclamado que se debate com o seu próximo romance, quando se envolve com uma empregada de mesa. Esse caso adúltero porá fim ao seu casamento do qual resultaram 4 filhos. No início da série, esta demarcou-se pela forma como explorava a mesma situação vista por perspectivas diferentes, a dele e a dela, mas depressa começou a evoluír para muito mais do que isso, explorando como dois casais diferentes, agora divididos em 4 individualidades, refazem as suas vidas: a emocional e as outras. A última temporada incorre mesmo num ousado salto – depois da morte de uma das protagonistas no final da temporada anterior – e aborda como a vivência de um trauma pode sobreviver nas gerações seguintes, e retratando, subtilmente, um mundo ele próprio em ruína, assim como uma história de amor que sobrevive às mais variadas peripécias, desde o affair à prisão de uma das personagens, num derradeiro sacrifício de amor, ao querer proteger a ex-mulher.
Este final de uma das minhas séries favoritas – e um dos finais mais bem conseguidos de sempre – consegue, num episódio tão extenso e completo quanto um filme, a proeza de juntar todas as pontas soltas, sem deixar nada por fechar. Maura Tierney tem uma interpretação fabulosa, assim como Ruth Wilson. A série venceu 3 Globos de Ouro, de Melhor Série e Melhores Interpretações.

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Paulo Nóbrega Serra
Written by Paulo Nóbrega Serra
Sou doutorado em Literatura com a tese «O realismo mágico na obra de Lídia Jorge, João de Melo e Hélia Correia», defendida em Junho de 2013. Mestre em Literatura Comparada e Licenciado em Línguas e Literaturas Modernas, autor da obra O Realismo Mágico na Literatura Portuguesa: O Dia dos Prodígios, de Lídia Jorge e O Meu Mundo Não É Deste Reino, de João de Melo, fruto da minha tese de mestrado. Tenho ainda três pequenas biografias publicadas na colecção Chamo-me: Agostinho da Silva, Eugénio de Andrade e D. Dinis. Colaboro com o suplemento Cultura.Sul e com o Postal do Algarve (distribuídos com o Expresso no Algarve e disponíveis online), e tenho publicado vários artigos e capítulos na área dos estudos literários. Trabalhei como professor do ensino público de 2003 a 2013 e ministrei formações. De Agosto de 2014 a Setembro de 2017, fui Docente do Instituto Camões em Gaborone na Universidade do Botsuana e na SADC, sendo o responsável pelo Departamento de Português da Universidade e ministrei cursos livres de língua portuguesa a adultos. Realizei um Mestrado em Didáctica do Português e das Línguas Clássicas e uma pós-graduação em Ensino Especial. Vivi entre 2017 e Janeiro de 2020 na cidade da Beira, Moçambique, onde coordenei o Centro Cultural Português, do Camões, dois Centros de Língua Portuguesa, nas Universidades da Beira e de Quelimane. Fui docente na Universidade Pedagógica da Beira, onde leccionava Didáctica do Português a futuros professores. Resido agora em Díli, onde trabalho como Perito de um Projecto de Cooperação e lecciono na UNTL. Ler é a minha vida e espero continuar a espalhar as chamas desta paixão entre os leitores amigos que por aqui passam.