Este livro publicado pela Actual (Grupo Almedina) é um guia prático com respostas a um dos maiores desafios dos tempos que vivemos. Como nos focarmos no nosso trabalho, ou em qualquer tarefa que tenhamos em mãos sem sermos constantemente interrompidos, por dezenas de notificações de aplicações diferentes que vamos descarregando para o telefone, com telefonemas muitas vezes desnecessários, com chamadas para reuniões que não vão adiantar nada de produtivo, ou com o nosso próprio devaneio, e a convicção que conseguir realizar diferentes tarefas em simultâneo é sinónimo de produtividade.
Chris Bailey, autor também de O Projeto da Produtividade, divide este livro em duas partes, que correspondem a dois modos de atenção que podemos accionar na nossa mente quando queremos ser realmente produtivos. Na primeira parte, HiperFoco, que dá nome ao livro, o autor ajuda a identificar e lidar com distracções; criar um ambiente físico e mental ideal de trabalho; trabalhar mais em menos horas; estabelecer pausas estratégicas; evitar o multitasking e focarmo-nos no que realmente interessa (sabia que uma vez interrompidos levamos uma média de 20 a 30 minutos para realmente nos focarmos no que estávamos a fazer?)
Na segunda parte, contudo, o autor foca-se no DisperFoco, de modo a activarmos o modo criativo do nosso cérebro, pois é muitas vezes quando estamos justamente a fazer tudo menos trabalhar que nos ocorrem as melhores ideias e soluções (lembro-me de quando fiz a tese de mestrado e de doutoramento ter um bloco de notas, conselho avançado por Umberto Eco, pois as ideias mais incríveis surgiam nos momentos mais estranhos).
É um livro técnico, mas sucinto, com dicas úteis, e escrito com base na própria experiência e na investigação levada a cabo pelo autor, licenciado em Gestão, que publicou já centenas de artigos sobre produtividade. O seu trabalho obteve atenção de meios de comunicação tão distintos como o New York Times, a New Yorker ou a TED. Chris Bailey recusou lucrativas ofertas de emprego para viver durante um ano uma espécie de plano pessoal, em que estudou o impacto das suas práticas na qualidade e quantidade do seu próprio trabalho: cortou completamente na cafeína e açúcar; viveu em isolamento durante 10 dias; passou a usar o seu smartphone apenas uma hora por dia; ganhou 5 quilos de massa muscular; e acordava às 5h30 todas as manhãs ao longo de 3 meses (eu pessoalmente revejo-me muito aqui, pois funciono à base de energia solar).

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Paulo Nóbrega Serra
Written by Paulo Nóbrega Serra
Obtive o grau de doutor em Literatura com a tese «O realismo mágico na obra de Lídia Jorge, João de Melo e Hélia Correia», em Junho de 2013. Mestre em Literatura Comparada e Licenciado em Línguas e Literaturas Modernas, autor da obra O Realismo Mágico na Literatura Portuguesa: O Dia dos Prodígios, de Lídia Jorge e O Meu Mundo Não É Deste Reino, de João de Melo, fruto da minha tese de mestrado. Tenho ainda três pequenas biografias publicadas na colecção Chamo-me: Agostinho da Silva, Eugénio de Andrade e D. Dinis. Colaboro com o suplemento Cultura.Sul e com o Jornal Postal do Algarve, e tenho publicados alguns artigos na área dos estudos literários. Trabalhei como professor do ensino público cerca de 10 anos, ministrei formação. Fui Docente do Instituto Camões em Gaborone na Universidade do Botsuana e na SADC, sendo o responsável pelo Departamento de Português da Universidade e ministrei cursos livres de língua portuguesa a adultos. Realizei entretanto um Mestrado em Didáctica do Português e das Línguas Clássicas, frequento uma formação online de promoção da leitura e preparo-me para uma de revisão. Ler é a minha vida e espero continuar a espalhar as chamas desta paixão entre os leitores amigos que por aqui passam. Resido actualmente na cidade da Beira, Moçambique.